FC Porto também já se decepcionou com brasileiros; relembre

FC Porto também já se decepcionou com brasileiros; relembre

Drogas, doenças, problemas pessoais, lesões e muitos outros motivos contribuíram para o insucesso de alguns brasileiros no Porto

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Já vimos que o Benfica provavelmente é, entre os grandes portugueses, a equipe que mais acumula fracassos na contratação de brasileiros. O FC Porto é mais bem sucedido neste aspecto. O caso mais recente é do lateral direito Danilo, vendido ao Real Madrid há algumas semanas por 31,5 milhões de euros (R$ 108 milhões).

Mas nem sempre ser brasileiro e ser contratado pelo Porto é sinônimo de sucesso. O Alambrado relembra os casos mais emblemáticos de atletas tupiniquins que não conseguiram se adaptar à equipe portista, diferentemente de Branco, Jardel, Deco, Pepe, Carlos Alberto, Derlei, Anderson, Hulk, Helton e o já citado Danilo, que tiverem melhor sorte no Estádio do Dragão.

Walter Casagrande

Casagrande teve problemas com doping e drogas em sua passagem por Portugal (Foto: Reprodução)
Casagrande teve problemas com doping e drogas em sua passagem por Portugal (Foto: Reprodução)

Grande ídolo do Corinthians, Walter Casagrande Jr. trocou o comodismo no alvinegro pelo desafio de construir uma carreira internacional no Porto, em 1986, logo apos a Copa do Mundo do México. Ficou uma temporada em Portugal e levantou a Copa dos Campeões de 1987 (equivalente à Champions). Neste jogo, contudo, não saiu do banco de reservas, algo frequente em sua passagem pela terrinha.

O centroavante contabilizou apenas seis jogos e um gol no período. A estada de Casão, contudo, foi altamente conturbada nos bastidores – em sua bibliografia e em entrevistas recentes a programas de TV, o brasileiro admitiu ter utilizado doping para atuar em alguns jogos, a pedido de funcionários do clube. Além de negarem o fato, os dirigentes portistas da época, em sua defesa, revelaram recentemente que o jogador estava viciado em heroína, o que contribuiu para sua venda ao modesto Ascoli, da Itália, no ano seguinte.

Claudio Pitbull

Claudio Pitbull não deixou saudades aos portistas (Foto: Reprodução)
Claudio Pitbull não deixou saudades aos portistas (Foto: Reprodução)

O folclórico jogador construiu certa idolatria no período em que esteve no Grêmio, clube pelo qual foi revelado em 1999. Conseguiu abandonar o barco antes que ele naufragasse, em 2004, quando o time gaúcho caiu para a segundona nacional, ao se mudar para o Porto.

Com a camisa dos Dragões, foram seis jogos e sete empréstimos: Al-Ittihad-ARA, Santos, Fluminense, Acadêmica-POR, Vitoria Setúbal-POR, Rapid Bucuresti-ROM e Marítimo-POR. Nenhum bem sucedido. Deixou o Porto em 2010, ao termino do contrato, assinando em definitivo pelo Vitória de Setúbal, apesar da discreta passagem anterior.

Thiago Silva

Thiago Silva defendeu apenas o time B do Porto (Foto: Reprodução)
Thiago Silva defendeu apenas o time B do Porto (Foto: Reprodução)

Figurinha carimbada na lista de melhores zagueiros da atualidade, Thiago Silva obteve sucesso em todos os clubes que passou, exceto…. o Porto.  Chegou a Portugal no inicio de 2005, então com 20 anos, vindo do Juventude. Mas a sorte parece ter ficado no Brasil. Não conseguiu se adaptar à Europa, principalmente ao clima frio do inverno do hemisfério norte. Acumulou lesões e problemas respiratórios no período, atuando apenas pelo time B e em pouquíssimos jogos.

Ainda em janeiro daquele ano, foi emprestado ao Dínamo de Moscou. Em terras russas, sofreu com tuberculose e até mesmo ficou internado no hospital durante meses. Só recuperou o bom futebol quando voltou ao Brasil, chegando por empréstimo ao Fluminense. Após esse período, sua carreira dispensa comentários.

Ibson

Ibson até jogou bastante pelo Porto, mas pouco conseguiu fazer (Foto: Divulgação)
Ibson até jogou bastante pelo Porto, mas pouco conseguiu fazer (Foto: Divulgação)

Quando surgiu no Flamengo em 2003, aos 20 anos de idade, Ibson dava a entender que seu destino um dia seria o futebol europeu, e, na sequência, a Seleção Brasileira. O primeiro passo foi dado em janeiro de 2005: a qualidade no passe e o ótimo controle de bola credenciaram o então meia a ser comprado pelo Porto.

Os primeiros seis meses do brasileiro no Velho Continente não foram tão ruins. Mesmo jovem e recém-chegado, assumiu a titularidade logo no início e terminou 2004-05 com uma boa reputação. Por pouco, não ajudou a equipe a conquistar aquela edição do Campeonato Português – que, por três pontos de diferença, ficou com o Benfica.

Foi então que veio a nova temporada, um novo técnico e novos reforços. Mesmo com as mudanças, Ibson seguiu entre os titulares. Co Adriaanse até que foi insistente com o brasileiro. O meia passou quase dois meses intocável, mesmo com exibições discretas. A paciência acabou após a derrota por 2 a 0 para o rival Benfica, já em outubro.

A partir daí, o holandês fez várias mudanças no time, e Ibsou passou a marcar presença frequentemente no banco de reservas. Não à toa, o Porto conseguiu reverter o mau início de temporada e terminou o ano com o título português. Por fim, em 2006-07, o volante, além do status de opção secundária, sofreu com seguidas lesões. Acabou emprestado ao Flamengo, e, posteriormente, vendido ao Spartak Moscou. Hoje, atua nos Estados Unidos.

Leandro

Leandro não conquistou a titularidade e logo deixou o Estádio do Dragão (Foto: Divulgação)
Leandro não conquistou a titularidade e logo deixou o Estádio do Dragão (Foto: Divulgação)

O “Bochecha” era uma das poucas revelações da posição mais negligenciada no futebol mundial ao longo do século XXI. Surgiu em 1997, no América-RJ, mas ganhou projeção nacional no Vitória, entre 1999 e 2002. Chegou naquele ano ao Cruzeiro com a missão de substituir o insubstituível – Juan Pablo Sorín havia se transferido para a Lazio.

Mas Leandro superou as expectativas e foi incontestavelmente o lateral-esquerdo titular do esquadrão cruzeirense que levou a Tríplice Coroa em 2003. Foi apresentado pelo Porto em 2004, como opção ao titular Nuno Valente. O brasileiro não conseguiu ameaçar o português, e amargou o banco de reservas ao longo de toda a temporada, contabilizando apenas 11 jogos.

Devido a seu contrato longo, os dirigentes portistas chegaram à conclusão de que o lateral ainda não estava pronto para o futebol europeu, e passaram a emprestar o jogador, que passou por Cruzeiro, Palmeiras, Fluminense, Vitória e Atlético-MG até o vínculo se encerrar, em 2010.

Léo Lima

Volante de boa saída para o jogo, Léo Lima apareceu no Vasco em 2001, em época de vacas magras para o Gigante da Colina. Passou ainda pelas seleções de base do Brasil e até mesmo pela principal, em 2003, antes de ser vendido ao CSKA Sofia, da Bulgária. Depois alguns meses de exílio nos Balcãs, o brasileiro desembarcou no Marítimo em 2004.

Léo Lima teve passagem desastrosa pelo Porto (Foto: Divulgação)
Léo Lima teve passagem desastrosa pelo Porto (Foto: Divulgação)

Foi lá que Léo Lima chamou a atenção do Porto. Suas boas atuações o levaram ao Estádio do Dragão em 2005. A passagem, contudo, foi um fiasco. O meio-campista praticamente não aproveitou as já poucas oportunidades que teve, atuando em sete partidas. Acabou liberado por empréstimo ao Santos seis meses depois.

Ainda passou pelo Grêmio antes de ser negociado em definitivo ao Flamengo, em 2007. Não se firmou em nenhum dos clubes pelos quais passou, e, atualmente, atua no futebol árabe.

Luís Fabiano

Com problemas pessoais e de adaptação, Luis Fabiano não teve sucesso nos Dragões (Foto: Reprodução)
Com problemas pessoais e de adaptação, Luis Fabiano não teve sucesso nos Dragões (Foto: Reprodução)

O “Fabuloso” é indiscutivelmente um dos mais talentosos centroavantes brasileiros deste século. Bastante técnico e com um poder de finalização invejável, o jogador talvez pudesse ter ido mais longe caso não tivesse um temperamento tão explosivo.

Mas o que o impediu de prosperar no Porto entre 2004 e 2005, no entanto, foi algo raro em sua carreira – escassez de gols. Ídolo no São Paulo e volta e meia convocado para a Seleção, Luís Fabiano não se adaptou de imediato ao futebol da Europa. Foram apenas três gols em 27 partidas com a camisa portista.

Também pesou para o desempenho ruim o fato de o clube estar em um período de transição com a saída de atletas e do técnico José Mourinho após a conquista da Liga dos Campeões de 2005. Além disso, problemas extracampo atrapalharam, como o sequestro de sua mãe no Brasil. Deixou Portugal em 2005 para se tornar ídolo no Sevilla, da Espanha.

Leandro Bonfim

Leandro Bonfim pouco jogou no Porto (Foto: Reprodução)
Leandro Bonfim pouco jogou no Porto (Foto: Reprodução)

Outro representante da desastrosa safra de contratações brasileiras do Porto em 2005, o meia teve longa história com as seleções de base do Brasil, antes mesmo de ser revelado pelo Vitória em 2001. No mesmo ano, conquistou o título do Sul-Americano Sub-17.

Entre os profissionais, pouco mostrou no Brasil. Com o forte assédio, se transferiu em 2002 para o PSV Eindhoven. Ficou por lá até 2005. Mesmo não tendo muitas oportunidades por lá, convenceu o Porto a investir em sua contratação. Durou apenas seis meses, e, em meados daquele ano, acabou emprestado ao São Paulo. E, posteriormente, a Cruzeiro e Nacional da Madeira. Pelos Dragões? Seis jogos e nenhuma saudade.

Walter

Carinhosamente (ou não) apelidado de “Bigorna” pelos portugueses, por motivos óbvios, o carismático atacante ainda hoje pertence ao Porto, tendo sido emprestado recentemente ao Atlético Paranaense. Foi revelado pelo Inter em 2008, onde alternou altos e baixos. Ajudou o clube a chegar à final da Libertadores de 2010, mas saiu antes das finais, durante a pausa para a Copa do Mundo, com destino a Portugal.

Emprestado ao Atlético-PR, Walter ainda pertence ao Porto, onde não vingou por seus problemas com o peso (Foto: Reprodução/Mais Futebol)
Emprestado ao Atlético-PR, Walter ainda pertence ao Porto, onde não vingou por seus problemas com o peso (Foto: Reprodução/Mais Futebol)

Na terrinha, sofreu com as gozações de rivais e dos próprios portistas com relação ao seu peso. Atuou em 25 partidas na temporada, a maioria entrando no decorrer dos jogos, marcando dez gols. Mesmo com sua técnica apurada e chute forte, era sempre preterido pelo técnico André Villas-Boas. Pesava para o fato uma concorrência ingrata no ataque: Falcao García.

O colombiano rumou para o Atlético de Madri ao final da temporada, mas a situação de Walter não se alterou. Vítor Pereira, o novo técnico, preferia Kléber ao “Bigorna”. Muito mais por preconceito em relação à forma física do que pelo futebol praticado em campo, aparentemente, já que o atacante terminou o primeiro semestre com seis gols em oito jogos, sendo quatro deles em apenas um. Em janeiro de 2012, foi emprestado ao Cruzeiro, e, desde então, não retornou a Portugal.

Souza

Souza não conseguiu espaço no Porto (Foto: Divulgação)
Souza não conseguiu espaço no Porto (Foto: Divulgação)

Hoje convocado seguidamente por Dunga para a Seleção Brasileira, o volante foi revelado em 2008 no Vasco, ano do primeiro rebaixamento do cruz-maltino à Série B do Brasileirão. Foi um dos poucos blindados a críticas naquele ano, especialmente devido a uma contusão que o tirou de jogos decisivos na reta final da competição.

Fez o suficiente no clube carioca para o Porto investir em sua contratação em 2010. Deixou boa impressão nos primeiros jogos, principalmente após marcar um golaço de fora da área diante do Genk (confira abaixo) logo em sua segunda partida pelo clube, em duelo válido pela fase preliminar da Liga Europa.

Aquele gol, contudo, foi o único de sua passagem por Portugal. Souza não convenceu André Villas-Boas a colocá-lo entre os titulares, e o volante teve de se contentar em ser opção para o segundo tempo dos jogos, quando o português buscava reforçar a defesa. Acabou emprestado para o Grêmio no início de 2012. Em Porto Alegre, voltou a ter boas exibições e fez o clube adquirir seu passe no ano seguinte. Atualmente, é titular do São Paulo, tendo sido emprestado pelo tricolor gaúcho.

Kléber

O atacante capixaba é mais um das centenas de casos de atletas brasileiros que se destacam em clubes de nível médio de Portugal. Revelado pelo Atlético-MG em 2009, não se firmou no Galo, mas conseguiu destaque após ser emprestado ao Marítimo-POR.

Cercado de expectativas, Kléber hoje está emprestado ao Estoril Praia (Reprodução/O Jogo)
Cercado de expectativas, Kléber hoje está emprestado ao Estoril Praia (Reprodução/O Jogo)

Foi disputado a tapa por Porto e Sporting em 2011, e acabou indo parar no Estádio do Dragão. Surpreendentemente, foi convocado semanas depois para amistosos da Seleção Brasileira. Acabou cortado por lesão, mas, em novembro, foi chamado novamente e chegou a jogar por alguns minutos contra o Gabão.

No Porto, o início não foi tão ruim. Gols aqui e acolá, mas muito pouco perto das expectativas criadas ao redor do brasileiro. Depois de um jejum de 15 jogos sem marcar, já em 2012, no fim da temporada, a paciência de Vítor Pereira se esgotou e Kleber foi para o banco de reservas. Ficaria por mais seis meses na reserva. Não mostrou o suficiente e acabou emprestado ao Palmeiras, onde também fracassou. Atualmente, está emprestado ao Estoril Praia.

Dellatorre

Dellatorre sequer atuou pelo time principal (Foto: Reprodução)
Dellatorre sequer atuou pelo time principal (Foto: Reprodução)

Depois de seguidos fracassos em contratações de brasileiros, o Porto aparentemente decidiu mudar a estratégia. Dellatorre veio por empréstimo do Desportivo Brasil em 2012, após um empréstimo anterior ao Internacional. Chegou direto ao time B, mostrando um bom desempenho na segunda divisão portuguesa.

Faltaram ao atacante, contudo, oportunidades no time principal. Chegou a ficar no banco durante uma partida contra o Nacional da Madeira, e só. Acabou devolvido e emprestado pelo Desportivo ao Atlético Paranaense, na sequência, onde está até hoje.

Leandro Lima saiu do São Caetano para o Porto, mas não deslanchou (Foto: Divulgação)
Leandro Lima saiu do São Caetano para o Porto, mas não deslanchou (Foto: Divulgação)

Menções honrosas: Leandro Lima, Bruno Moraes, Ezequias, Edgar, Maciel e Sebá. Atletas menos conhecidos no Brasil, mas não menos esquecíveis para os portistas…

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