Caruso Lombardi, o terror do fantasma da B

Caruso Lombardi, o terror do fantasma da B

Técnico argentino é famoso por salvar equipes do rebaixamento na elite nacional; Conheça sua história

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Caruso Lombardi
Tá quase caindo para a segunda divisão? Chama o Caruso que ele resolve (Foto: Reprodução)

Existem no futebol diversos heróis famosos e anônimos, sejam eles jogadores, massagistas ou até mesmo pais de santo. Na Argentina, há uma personalidade que se destaca por ter uma habilidade incomum. Suas façanhas, porém, não estão ligadas a disputas por títulos importantes ou esquemas táticos revolucionários. Trata-se do técnico Ricardo Caruso Lombardi, de 54 anos, que também pode ser chamado de “o salvador da pátria”.

Quando algum clube atravessa momentos de crises e passa a conviver diariamente com o indesejado fantasma da B, um nome a ser mencionado nas reuniões entre dirigentes e nas rodas de bar certamente é o de Caruso. Não por acaso.

Em sua extensa carreira à beira do gramado, o treinador salvou do rebaixamento para a segunda divisão nacional nada menos do que seis equipes diferentes: Argentinos Juniors (2007 e 2013), Newell’s Old Boys (2008), Racing (2009), San Lorenzo (2012), Quilmes (2014) e Sarmiento (2016). Só falhou com o próprio Quilmes, em 2011.

INÍCIO DE CARREIRA

Após abandonar a volância e dedicar-se às pranchetas no Defensores de Belgrano, clube onde encerrou sua trajetória como futebolista em 1992, Caruso chegou ao Sportivo Italiano. Os resultados expressivos obtidos em sua nova etapa profissional chamaram a atenção do Estudiantes de Buenos Aires (não confundir com o de La Plata), em 1996. A aposta deu certo, e o técnico manteve o time na segunda categoria do futebol local.

Os eventos seguintes o golpeariam com força. No Temperley, que vinha de dois acessos consecutivos, Caruso vivenciou períodos difíceis, pois o “Gasolero” teve uma das piores campanhas de sua história e foi rebaixado para a terceira divisão na temporada 1996/97. Em 1998, ele voltou ao Estudiantes, que estava em grave crise financeira, para tentar repetir o milagre anterior, mas amargou outra queda para a terceirona.

A reviravolta no currículo do treinador começou em 2003, com o desafio de assumir o Tigre. Bastou pouco para ele converter o elenco do “Matador” em um grupo vitorioso. Com duas campanhas sólidas na terceira divisão, ganhou o Apertura/2004 e o Clausura/2005.

OS MILAGRES NA ELITE

Em 2007, ele retornou ao Argentinos Juniors, onde foi revelado como jogador, depois de recomendação feita por Diego Maradona ao então presidente do clube, Luis Segura. Em La Paternal, Caruso demonstraria seu talento para apagar grandes incêndios. O treinador assumiu o Bicho na zona da degola e terminou o Clausura no 8º lugar.

Caruso Lombardi
Caruso é visto como santo por torcedores mais fanáticos (Foto: Reprodução/Twitter)

Na temporada seguinte, o Newell’s Old Boys o contratou quando estava correndo risco de rebaixamento. Entre o Apertura/2007 e o Clausura/2008, ele reabilitou os leprosos e os deixou em posição bem confortável, 19 pontos acima do descenso.

Depois, quem pôde ser agraciado com os dotes do treinador foi o Racing, que iniciou o Clausura/2009 com três derrotas consecutivas. Nas 16 jornadas restantes, Caruso obteve 8 vitórias, 6 empates e 2 reveses, encerrando o torneio no 5º posto. Na tabela de rebaixamento, ficou a apenas dois lugares da zona de promoção. O milagre havia sido operado novamente.

Em dezembro de 2009/10, ele regressou ao Tigre em cenário bastante parecido com o que testemunhou em Avellaneda. Inclusive o desfecho também foi semelhante. Com 24 pontos obtidos de 48 possíveis, ele também acabou salvando o Tigre do descenso.

Apesar do histórico vitorioso, a passagem pelo recém-promovido Quilmes marcou seu primeiro malogro na elite argentina. Foram 5 vitórias, 5 empates e 5 derrotas até que, em 18 de junho de 2011, o fantasma da B ceifou os “cerveceros” junto com o Huracán.

Embora tenha perdido a categoria, Caruso seguiu no time e foi o grande responsável pelo projeto que o reconduziu à primeira divisão, mesmo que ele tenha aceitado a proposta do San Lorenzo e saído antes de concretizar o acesso, em 2012.

Em Boedo, o treinador voltou a demonstrar sua competência quando o assunto é salvação. No Apertura/2011, o “Ciclón” ficou no 17ª lugar. No Clausura/2012, no 12º posto. Como estava na zona de promoção, o escrete azul e grená precisou disputar dois jogos contra o Instituto de Córdoba, da segundona, para definir quem ficaria na elite. Resultado? Deu San Lorenzo, por 3 a 1 no placar agregado (0-2 e 1-1).

Em 2013, o milagre do “santo” Caruso ocorreu novamente em La Paternal. Em situação crítica, o Argentinos havia demitido o técnico Gabriel Schurrer na terceira rodada do agora Torneo Final (equivalente ao Clausura). Com 21 pontos em 48 possíveis, o Bicho se manteve duas posições acima da zona da degola e seguiu na primeira divisão.

Por fim, o extrovertido e polêmico treinador repetiu a façanha em 2016. Comandando o Sarmiento de Junín, lutou contra o rebaixamento até a última rodada, quando a vitória por 1 a 0 sobre o Olimpo de Bahía Blanca, nos acréscimos do segundo tempo, fora de casa, impediu o jogo-desempate contra o Argentinos Juniors, que caiu de novo.

Assim que garantiu a permanência do Sarmiento na elite, Caruso anunciou sua saída do clube. Talvez à espera de outro desafio para fazer jus à sua fama.

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Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é apreciador do futebol latino, do teor político-social do esporte bretão e também de seu lado histórico.