A batalha épica entre Corinthians e São Paulo na Copinha de 1993

A batalha épica entre Corinthians e São Paulo na Copinha de 1993

Equipes lideradas pelos jovens Marques e Jamelli fizeram um confronto digno de gente grande

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Jogadores do Tricolor e o título inédito (Foto: Reprodução)
Jogadores do Tricolor celebram o título inédito no Pacaembu (Foto: Reprodução)

A 47ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior, principal evento de categorias de base do país, já começou e novos talentos vão, aos poucos, sendo revelados aos amantes do futebol. Desde a primeira do torneio, muitas foram as partidas que entraram para a história. Uma delas foi a final de 1993, entre Corinthians e São Paulo.

De um lado, o São Paulo com seus jovens talentos como Rogério Ceni, Jamelli, Caio Ribeiro e Catê. Do outro, o Corinthians de Marques, Antônio Carlos, André Santos e Silvinho. A maioria destes jogadores brilharia tanto por esses clubes, como por outros – casos de Rogério Ceni, Marques e Silvinho.

Principal nome do Tricolor naquela Copinha, Jamelli era um meio-campista talentoso, driblador e dono de uma excelente visão de jogo. Não à toa, logo subiu para o time profissional do Morumbi. E foi ele quem abriu o placar da decisão, aos 16 minutos, de pênalti. Catê ampliou o placar para 2 a 0 no Pacaembu.

Entretanto, o Corinthians não deixaria um de seus maiores rivais conquistar o título tão facilmente  e começou a reação ainda no primeiro tempo. Aos 34 minutos, Marques diminuiu para o alvinegro.

Era um confronto bem jogado, com atletas habilidosos em ambos os lados. No primeiro tempo, Rogério Ceni salvou duas vezes sua equipe, além de outra oportunidade desperdiçada pelo Timão.

No início da segunda etapa, aos seis minutos, Marques anotava seu segundo gol no confronto, empatando a decisão e levando a Fiel ao delírio. Mas Jamelli estava em uma tarde inspirada.

De pênalti, o craque Tricolor colocou o São Paulo novamente à frente do placar, aos 17 minutos. 3 a 2. Aos 29 da etapa final, Caio César, vindo do banco de reservas, empatou a decisão para o Corinthians. 3 a 3.

Até então, a categoria juvenil do alvinegro havia conquistado a taça da Copa São Paulo duas vezes, 1969 e 1970, enquanto a equipe profissional sofria com o jejum que duraria 23 anos. Já o São Paulo, por sua vez, nunca havia conquistado a competição, tendo chegado à final em duas ocasiões, em 1981 e 1992.

Com esses ingredientes, o jogo tomava contornos cada vez mais dramáticos. Jogadores expulsos, partida truncada, nervosa. E como clássico é decidido em detalhes…

Aos 34 minutos, o Corinthians cobrou um tiro de meta completamente errado, dando ao adversário a posse de bola e a chance de um contra-ataque. A redonda caiu nos pés de Jamelli, que, dentro da área, chutou cruzado para marcar o quarto gol do São Paulo, seu terceiro na partida. O gol do título.

Dia de artilheiro na decisão da Copa São Paulo (Foto: Divulgação)
Jamelli: dia de artilheiro na decisão da Copa São Paulo (Foto: Divulgação)

Revelação do Tricolor, Jamelli subiu para a equipe profissional do São Paulo, onde ficou até 1994. Depois, teve passagens por Santa Cruz, Santos e acabou no Japão. Mais tarde, na Espanha, jogou pelo Zaragoza até retornar ao Brasil para defender o Corinthians, em 2003.

Ainda regressaria ao Japão e à Europa, mas sem destaque algum. Ele foi o típico jogador que poderia ter sido muito mais do que foi, porém, não engrenou.

Do lado do Timão, o destaque foi Marques, muito mais bem sucedido que seu rival. Jogou no Corinthians de 1993 a 1995, conquistando profissionalmente os títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Passou rapidamente por Flamengo e São Paulo até chegar ao Atlético-MG em 1998, onde seria consagrado ídolo do clube mineiro e ficaria até 2002.

No ano seguinte, jogou pelo Vasco da Gama até ser contratado pelo Nagoya Grampus-JAP. Depois de alternâncias entre futebol japonês e o alvinegro mineiro, Marques retornou ao Brasil definitivamente em 2008, encerrando sua carreira no Galo dois anos mais tarde

Muitos craques surgem na Copa São Paulo. A maioria desaparece ao longo dos anos, mas o que fica são lembranças de dias gloriosos, como viveram Jamelli e os demais garotos do São Paulo em 1993.

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