Zico na Fifa e a ousadia em desafiar o impossível

Zico na Fifa e a ousadia em desafiar o impossível

Chamado de louco por figurões da bola, Galinho ainda luta por apoio e promete revolução na entidade.

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A menos de uma semana para o prazo limite de efetivação de candidatura para a presidência da Fifa, o pleito parece mais do que nunca ser o menos previsível da história. Quem sucederá Blatter? A cada dia que passa, mais reviravoltas surgem.

Fato é que apenas quatro nomes foram confirmados até então, tendo preenchido o requisito mínimo de apoio de cinco federações nacionais: Michel Platini, Ali Bin Al-Hussein, Chung Mong-Joon e David Nakhid. O francês e o sul-coreano foram afastados devido a investigações do Comitê de Ética da Fifa.

Em meio a isso, está Zico, ridicularizado por figurões do mundo da bola. Mesmo assim, o que parecia loucura foi levado adiante. Completamente alheio às politicagens do futebol, o craque baseia-se apenas em sua brilhante carreira e em suas ideias para sua pré-candidatura. Sem barganhas ou esquemas.

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Zico assinando carta à Joseph Blatter (Foto: Divulgação)

O “quase-documentário” O Candidato, produzido pela ESPN, evidencia isso. Acompanhando o ídolo rubro-negro em seu dia-a-dia, a reportagem especial ouve amigos, colegas, torcedores, familiares e o próprio falando sobre a empreitada.

A produção não deixa dúvidas: Zico é um patrimônio do Rio de Janeiro, acima que do Brasil. Pelas praias, ruas, bairros e prédios da cidade, o Galinho é provavelmente a personalidade mais popular. E mais carioca – sua simplicidade, simpatia e bom humor reinam pelo local como quando seus passes, dribles, chutes e gols reinavam pelo Maracanã.

O ex-meia deixa claro suas principais bandeiras: democracia e transparência. A reportagem não entra em detalhes sobre suas propostas, mas elas podem ser encontradas na página de sua campanha.

Campanha de Zico foca nas redes sociais (Foto: Reprodução)
Campanha de Zico foca nas redes sociais (Foto: Reprodução)

E é na lista de seus “10 mandamentos” que Zico evidencia o quão boas – e, por isso mesmo, surreais – são suas ideias. Em um mundo em que quase todos os presidentes de federações se perpetuam no poder, o candidato a cartola vai na contramão e sugere um modelo de democratização no qual até torcedores podem virar candidatos. Na Fifa e em todas as entidades futebolísticas do mundo.

Diz priorizar o aumento de recursos para futebol feminino, futsal, futebol de areia e torneios de base. Defende abertamente o uso de tecnologia no futebol. Fala em transparência nas operações financeiras, na escolha dos comitês da Fifa e até em um modelo digital de transmissão de jogos de campeonatos menos difundidos.

Ideias suficientemente boas para que, a seis dias do prazo, Zico ainda não tenha anunciado apoio de nenhuma federação. Afinal, não há política sem politicagem. Votos na Fifa são, foram e provavelmente sempre serão moedas de troca.

Como Marco Polo Del Nero irá declarar apoio para um candidato que quer deixar, via Fifa, as eleições da CBF mais democráticas? Como o presidente de uma federação “x” irá votar em um candidato que fale priorizar futebol feminino, que tão menos retorno financeiro o traz a curto-prazo? O raciocínio é o mesmo para quase todos os cartolas mundiais.

Por ideias bem menos interessantes, Luis Figo desistiu de sua candidatura há alguns meses. Diego Maradona também não voltou a se manifestar sobre sua suposta entrada no pleito, anunciada em meados deste ano.

No raciocínio do cartola padrão, sem o paizão Blatter, mais vale um Platini – ou um príncipe jordiano – na mão do que seu cargo voando. Tudo indica que a briga se dará entre os dois, apesar do recente afastamento do francês pelo Comitê de Ética da Fifa.

Houve um dia, porém, que ninguém imaginava que o pequeno Arthur Coimbra pudesse se tornar um dos maiores jogadores da história do futebol. E quem sou eu para dizer que ele não será presidente da Fifa?

Força, Galinho.

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