Champions das Américas? Conheça prós e contras do possível torneio

Champions das Américas? Conheça prós e contras do possível torneio

Confira alguns pontos de discussão sobre a iniciativa que pretende ligar o futebol nas Américas

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Libertadores poderia ser substituída pelo novo torneio (Foto: Divulgação/Conmebol)
Libertadores poderia ser substituída pelo novo torneio (Foto: Divulgação/Conmebol)

Na última semana, o futebol da América do Sul recebeu uma notícia de impacto, que ajudou a reacender a chama de uma discussão antiga. Seria viável criar um torneio com times das Américas do Sul e do Norte, usando os moldes de organização da Liga dos Campeões?

A ideia foi lançada pelo italiano Riccardo Silva, co-fundador da empresa MP & Silva, especializada na transmissão e promoção de grandes eventos.

O plano de Silva seria impulsionar o valor de mercado que atualmente permeia a Taça Libertadores, aumentando a exposição dos clubes participantes e movimentando um montante final muito maior.

Mas será que a “Champions das Américas” conseguiria repetir o sucesso de sua versão original, a europeia? O que aconteceria com a Libertadores? Os clubes seriam a favor ou contra? Muitas questões surgem sobre o tema, e o Alambrado mostra alguns pontos que devem ser discutidos para chegar a uma conclusão:

Nível técnico

A Libertadores já recebe críticas hoje em dia por conta da presença de algumas equipes que agregam pouco valor técnico ao espetáculo, embora tenham direito inegável de representar seus respectivos países.

Mas a proposta do empresário seria criar um torneio com 64 times, sendo 16 do Brasil e outros 16 classificados pela Major League Soccer (MLS). Argentina e México teriam oito times cada, e outros países com forte tradição no futebol, como o Uruguai, teriam direito a apenas quatro vagas.

O inchaço na competição teria uma óbvia influência no grau de qualidade das partidas. O futebol praticado nos EUA, embora emergente, ainda é pouco competitivo em relação ao sulamericano, tendo como principais estrelas alguns nomes consagrados, mas perto da aposentadoria.

Dinheiro

As cifras teriam um salto colossal com a implantação do novo campeonato. Estima-se que o campeão receberia algo em torno de 30 milhões de dólares, valor quase seis vezes maior do que a Libertadores paga hoje em dia.

Além disso, abocanhando o mercado norte-americano, os índices de marketing e exposição dos direitos de imagem iriam aumentar exponencialmente, com um possível aproveitamento do licenciamento da marca do torneio e de produtos licenciados.

Olhar de Mercado

Não entendeu ou simplesmente tem aversão ao papo financeiro do tópico acima? Não se preocupe. Campeonatos de futebol deveriam ser mais voltados à ótica do torcedor, com o mínimo de burocracia e o máximo de emoção possível.

E esse é mais um tema que deve entrar em pauta na discussão. Será que os clubes das Américas realmente precisam dessa europeização? É claro que nenhuma sugestão para melhorar os torneios e deixá-los mais acessíveis deve ser ignorada, mas talvez fosse melhor uma abordagem que desse mais atenção ao futebol como esporte, e não como negócio.

Organização

Ia ter drone na Champions das Américas? (Foto: Reprodução)
Ia ter drone na Champions das Américas? (Foto: Reprodução)

Uma coisa não se pode negar: na Liga dos Campeões tudo (ou pelo menos quase tudo) funciona. Os estádios estão sempre bonitos e lotados, os gramados dão todas as condições possíveis para um bom jogo e os maiores craques do mundo entram em campo em busca da glória.

Não é vergonha admitir que os europeus estão muito a frente neste aspecto. Na Libertadores, chega a ser até comum ver jogadores sendo intimidados fisicamente por torcedores rivais, campos acanhados e péssimas condições para os profissionais da imprensa, o que prejudica até mesmo as transmissões pela TV.

Há quem goste de todos esses aspectos no modelo atual do torneio continental sul-americano, e não é pouca gente. Mas com a proposta da nova competição, muitas dessas famigeradas tradições acabariam se perdendo.

Calendário 

Quantas vezes você já ouviu jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas falando que nosso futebol precisa urgentemente de uma mudança de calendário?

O péssimo planejamento das datas faz com que muitos times daqui sejam prejudicados, perdendo jogadores em momentos importantes do ano, por lesões ou transferências. Como isso seria em um torneio com 64 times?

Dois cenários surgem nesse caso: o primeiro, com os cartolas decidindo que o modelo atual precisa ser adaptado e melhorado para encaixar a nova competição, parece interessante. Mas existe um segundo, com os clubes sendo forçados a disputar mais um campeonato em um calendário ruim, com o adendo de viagens ainda mais longas para os países da América do Norte.

Conmebol

E a comandante oficial do futebol na América do Sul, como fica nessa história toda? A ideia do novo torneio já dá indícios que a Conmebol não é tão necessária para organizar um campeonato, algo que qualquer um com olhar um pouco mais apurado já percebeu há tempos.

A iniciativa poderia ser um golpe estrondoso na estrutura da Confederação Sul-Americana, que depois de tantos escândalos e desmandos agoniza e faz seus filiados agonizarem. Mas também pode ser algo lucrativo se a Conmebol souber administrar as relações com as empresas, surfando na onda do campeonato novo como a UEFA fez quando criou os moldes atuais da Liga.

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